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Evandro José Coelho do Amaral

Evandro José Coelho do Amaral, Licenciado em Administração Pública pelo INSTITUTO SUPERIOR DE CIÊNCIAS SOCIAIS E RELAÇÕES INTERNACIONAIS (CIS). Tel: +244 928 887 135 / +244 993 029 806 (Whatsapp)

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Evandro José Coelho do Amaral

16
Mai18

É POSSÍVEL FAZER POUPANÇA EM ANGOLA?


Evandro José Coelho do Amaral

É POSSÍVEL FAZER POUPANÇA EM ANGOLA?

IS IT POSSIBLE TO MAKE SAVINGS IN ANGOLA?

NewPaper nº 51/2018

 

Amaral, Evandro José Coelho do [1]

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Resumo

No acto da responsabilidade social da Academia BAI, localizado na Avenida Pedro de Castro Van-Dúnem Loy, Luanda. No dia 10 de Maio, às 17h:30 teve à conversa com Francisco Paulo com o tema: Educação e Finanças. Este artigo dará alguns subsídios sobre poupanças que não ficou bem claro.

Palavras-chaves: Poupança, Estado e Angola.

 

Abstract

In the act of social responsibility of BAI Academy, located at Avenida Pedro de Castro Van-Dúnem Loy, Luanda. On May 10, at 5:30 PM, he had a talk with Francisco Paulo on the theme: Education and Finance. This article will give some subsidies on savings that was not clear enough.

Keywords: Savings, State and Angola.

 

Introdução

Poupança é um dos assuntos abordado em Angola. Isto devido a crise económica e financeira, pela baixa do preço do petróleo no mercado internacional e a restrição da moeda estrangeira em Angola.

 

Deste artigo vamos procurar responder as seguintes questões, ligadas a poupança, a saber:

  • De que forma a população angolana pode fazer poupança?
  • É possível fazer poupança em Angola?
  • Porquê que a crise veio reeducar a população angolana, no que diz respeito a poupança?
  • Como é possível fazer poupança em tempo de crise?
  • Se o Estado angolano não consegue fazer poupança (com o Fundo Soberano), o OGE de 2018 de Angola é completa de dívidas. Como a população angolana pode fazer poupança?
  • Como podemos fazer poupança, com uma inflação alta (subida dos bens e serviços, onde as famílias estão sem o poder de compra)?
  • Como vamos conseguir fazer poupança, se a taxa de desemprego é alta?
  • Segundo o relatório económico e social do Centro de Investigação da Universidade Católica de Angola (CEIC) em 2016 afirmou: 60% dos angolanos vivem com menos de dois dólares diários. Como podemos fazer poupança?
  • Em Angola 700.000 Cidadão são pobres, podendo-se falar de uma “Pobreza Hereditária” Quem nasce no seio de famílias pobre, continuará a sê-lo pobre. Mais uma vez é possível poupar?
  • Alguns cidadãos não conseguem comprar produtos da cesta básica. Como vão poupar?

Para o desenvolvimento deste artigo, formulamos as seguintes hipóteses para responder as questões acima:

 

H1: Apenas as pessoas endinheiradas podem fazer poupança em Angola.

 

H2: O pobre não consegue fazer poupança em Angola. Devido a alta taxa de desigualdade social, problemas estruturas e sociais de Angola.

 

H3: Falta de educação financeira, debates, palestras e divulgação sobre este assunto pelos órgãos de comunicação social em Angola.

 

H4: Falta de vontade política para inclusão social e politicas de pleno emprego.

 

H5: Em Angola, possui problemas estruturais, ou seja, em todos os sectores. Assim, cria dificuldades para o melhoramento dos outros sectores. Na falha ou o não funcionamento pleno de um sector prejudica outros sectores.

 

  1. Definição de Conceitos

Poupança: poupar implica economizar, ou seja, fazer um esforço para guardar algum dinheiro do seu rendimento pessoal no final do mês para utilização futura o que quer dizer cobrir necessidades ou emergências de curto prazo, (BNA, 2016).

 

Investimento: investir significa pegar no dinheiro que sobrou, ou que foi poupado, e aplica-lo num produto financeiro bancário para termos mais recursos para realização dos nossos desejos no futuro é crescimento a longo prazo, (BNA, 2016).

 

Inflacção: taxa de crescimento do nível geral dos preços de um país ou região, (BNA, 2016).

 

Banco: Instituição cuja actividade consiste na realização de operações financeiras e na prestação de serviços financeiros, dos quais os mais comuns são a concessão de crédito e a captação de depósitos do público, (BNA, 2016).

 

Agência:  Estabelecimento no país de instituição financeira bancária ou instituição financeira não bancária com sede em Angola, que seja desprovida de personalidade jurídica e que efectue directamente ou, no todo ou em parte, operações inerentes à actvidade da empresa ou estabelecimento suplementar da sucursal no  País, de instituição financeira  não bancária com sede no estrangeiro, (BNA, 2016).

 

Educação: A educação é a ação que desenvolvemos sobre as pessoas que formam a sociedade, com o fim de capacitá-las de maneira integral, consciente, eficiente e eficaz, que lhes permita formar um valor dos conteúdos adquiridos, significando-os em vínculo direto com seu cotidiano, para atuar consequentemente a partir do processo educativo assimilado, (Calleja, 2008).

 

Finança: ciência e atividade do manejo do dinheiro ou de títulos que o representem, esp. com relação ao Estado; recursos financeiros; conjunto de receitas e despesas, particularmente as do Estado; erário, (Dicionário Electrónico Houaiss da Língua Portuguesa 2.0a – Abril 2007).

 

  1. Política Fiscal

O Orçamento de um determinado Governo (previsão anual de gastos públicos) funciona como um verdadeiro balizador na Economia. Se temos elevados investimentos governamentais previstos no Orçamento, provavelmente o número de empregos aumentará, assim como a renda agregada melhorará. Em compensação, um orçamento de um Governo restrito em investimentos, provocará desemprego, desaceleração da economia, e decréscimo no produto interno bruto. O Governo pode provocar orçamentos expansionistas ou gerar um orçamento recessivo. Pode ser Expansionista e Contraccionista.

 

Politica fiscal (circulo virtuoso): + PIB e – Desemprego

Aumento da liquidez no mercado e reduzir a taxa de desemprego.

 

Politica Fiscal Contraccionista (circulo vicioso): - PIB e + Desemprego

Reduz a liquidez no mercado e controlar a inflação.

 

  1. Política Monetária

Conjunto de medidas adoptadas pelo executivo para adequar a quantidade de moeda em circulação às necessidades da Economia (envolve o controlo da oferta de moeda, da taxa de juros e do crédito em geral, para efeito de estabilização da economia e influência na decisão de produtores e consumidores).

Tabela 1. Instrumentos da política monetária

Politica Monetária Expansionista

Instrumentos

Politica Monetária Contraccionista

-

Taxa básica de Juro

+

-

Taxa de Redesconto

+

+ Compra Títulos

Mercado Aberto (Títulos)

- Venda títulos

-

Taxa Compulsório

+

Fonte: Própria (Autor).

 

  1. Política Cambial

A política cambial, por seu turno, é o conjunto de acções e orientações engendradas pelo Banco Central no sentido de obter determinados objetivos, destacando-se o equilíbrio das contas externas e a redução da volatilidade da taxa de câmbio, por meio de operações de compra e venda de moeda estrangeira.

 

Cabe destacar que num sistema de câmbio perfeitamente flexível, ou seja, sem qualquer intervenção do Banco Central na taxa de câmbio, via compra e venda de moedas estrangeiras, a taxa de câmbio funciona ajustando o balanço de pagamentos. Quando a entrada de moeda estrangeira é maior do que a saída, o balanço de pagamento torna-se superavitário e como a oferta de moeda é superior à demanda, então os preços das moedas estrangeiras tendem a cair. 

 

A moeda nacional torna-se muito valorizada, incentivando um movimento que vai reverter a situação de superávit, pois as importações de bens e serviços deverão aumentar e as exportações deverão diminuir. Dessa forma, a flutuação da taxa de câmbio vai permitir que o saldo do balanço de pagamentos tenda para o equilíbrio.

 

No caso contrário, ou seja, de déficit das transações correntes, a moeda doméstica tende a tornar-se muito desvalorizada, o que incentivará as exportações e desestimulará as importações. Nesse caso, mais uma vez, a taxa de câmbio se ajusta, valorizando-se até alcançar o equilíbrio do balanço de pagamentos.

 

A taxa de câmbio também funciona atenuando os choques externos de forma a minimizar os efeitos sobre o lado real da economia. Por exemplo, uma fuga de capitais num sistema de câmbio fixo obriga o BNA a vender reservas para atender o excesso de demanda por moeda estrangeira. Quando isso ocorre, os agentes trocam moeda nacional por moeda estrangeira, o que representa uma redução da liquidez na economia. Isso implica uma elevação da taxa de juros, impactando negativamente no nível de actividade económica do país.

 

Se o país adoptasse um sistema de câmbio perfeitamente flexível, todo o impacto inicial decorrente da fuga de capitais ocorreria sobre a taxa de câmbio, ou seja, haveria uma desvalorização cambial. Há forte intervenção do governo na fixação das taxas de câmbio, seja por especulação dos mercados, seja pelas grandes alterações na economia provocadas por bruscas variações na taxa de câmbio.

 

Quanto maior a taxa de câmbio, maior o volume que as empresas desejam exportar. Quanto menor, menor o volume de exportação. A oferta de divisas é proporcional á taxa de câmbio, ou seja, crescente em relação ao câmbio.

 

Quando a taxa de câmbio é maior, menor a quantidade de empresas que desejam importar e menor a demanda de divisas para o exterior. A quantidade de divisas também pode se alterar com a maior demanda de produtos nacionais no mercado externo, dependendo também da renda do país importador.

 

  1. Sistema Financeiro Angolano

Sistema Financeiro é conjunto de instituições, instrumentos e processos através dos quais a poupança dos agentes excedentários é transferida para os agentes deficitários.

Tabela 2. Sistema Financeiro

Agentes Excedentários

Poupanças

Agentes Deficitário

Famílias

 

Famílias

Empresas

Intermediários

Empresas

Estado

Financeiros

Estado

Exterior

 

Exterior

Fonte: Adaptada OCPCA - Ordem dos Contabilistas e Peritos Contabilistas de Angola

Tabela 3. Classificação dos Mercados Financeiros quanto a Esfera de Supervisão

Banco Nacional de Angola

Comissão do Mercado de Capitais (CMC)

Agência Angolana de Regulação e Supervisão de Seguros (ARSEG)

M. Cambial

M. Obrigacionista

M. Seguros

M. Monetário

M. Accionista

M. Fundos de Pensões

M. Crédito

M. Mercadorias

 

 

M. Derivados

 

 

Fundos de Investimentos

 

Fonte: Adaptada OCPCA - Ordem dos Contabilistas e Peritos Contabilistas de Angola

  1. Salário Mínimo Nacional

O Decreto Presidencial n.º 91/17. Fixa para Kz: 16.503,30 (dezasseis mil, quinhentos e três Kwanzas e trinta cêntimos) o salário mínimo nacional garantido único.

 

5.1. Montante do Salário Mínimo por Grandes Agrupamentos Económicos

O salário mínimo por agrupamentos económicos são fixados para os seguintes montantes:

  • Agrupamentos do comércio e da indústria extractiva, Kz: 754,95 (vinte e quatro mil, setecentos e cinquenta e quatro Kwanzas e noventa e cinco cêntimos);
  • Agrupamentos dos transportes, dos serviços e da indústria transformadora, Kz: 629,13 (vinte mil, seiscentos e vinte e nove Kwanzas e treze cêntimos);
  • Agrupamento da agricultura, Kz: 16.503,30 (dezasseis mil, quinhentos e três Kwanzas e trinta cêntimos), (Artigo 2.º).

 

6. Qual a diferença entre poupança e investimento?

Poupar e investir têm diferentes significados e níveis de riscos distintos, porém ambos pretendem aumentar o dinheiro guardado pelos consumidores.  E importante pensar em poupar ou investir, tendo em conta os objectivos pessoais ou familiares, tais como a educação dos filhos ou a compra de uma casa, (BNA, 2016).

 

6.1. Poupança

Poupar implica economizar, ou seja, fazer um esforço para guardar algum dinheiro do seu rendimento pessoal no final do mês para utilização futura o que quer dizer cobrir necessidades ou emergências de curto prazo.

 

Ao fazermos uma poupança, estamos a colocar o nosso dinheiro em segurança e podemos facilmente utilizá-lo em caso de necessidade no futuro.

 

Os produtos relacionados com a poupança regra geral têm um menor risco para o consumidor e, por isso, também têm uma rentabilidade menor em relação a uma aplicação financeira, (BNA, 2016).

 

6.2. Investimento

Investir significa pegar no dinheiro que sobrou, ou que foi poupado, e aplicá-lo num produto financeiro bancário para termos mais recursos para realização dos nossos desejos no futuro -  é crescimento a longo prazo.

 

O consumidor quando efectua um investimento está a aplicar uma parte do rendimento que guardou em produtos financeiros que possam gerar retorno, visando ao aumento da capacidade financeira.

 

Os produtos relacionados com o investimento possuem diferentes tipos de risco para o consumidor bancário e que deverão ser considerados, (BNA, 2016).

  1. Poupança no contexto angolano

Abaixo iremos trazer algumas situações que torna difícil fazer poupança em Angola:

  1. Alguns cidadãos, têm muitos compromissos morais (sobretudo financeiro), por vezes são obrigados a ajudarem financeiramente: a sua mãe, sogras, filhos, netos, noras e outros.
  2. Família alargada (agregado familiar extensa: mulher, filhos, netos, nora, sogra …).
  3. Alguns cidadãos não incentivam membros da sua família em trabalhar ou em formações académicas e profissionais.
  4. Alguns cidadãos têm quase na sua essência (no mínimo 2 empregos e no máximo 5 empregos). Com isso, tirar a possibilidade de outros indivíduos a entrar no mercado de trabalho.
  5. Uma sociedade de polígamos. E têm muitos filhos. O custo mensal acaba sendo muito alto.
  6. Os bancos comerciais e casas de câmbios não praticam políticas atrativas. Com isso, fortalece o mercado informal (que é muito forte em Angola). Por exemplo, Kixikila é mais atrativa que o depósito a prazo.
  7. Falta de política atrativa para incentivar empresários nacionais e estrangeiro, afim de investir no mercado angolano. Onde poderiam criar muitos postos de trabalho.
  8. Em Angola não podes parcelar ou pagar bens e serviços à prestação. Por isso, muitos só conseguem alcançar seus objectivos, metas, pretensões, e sonhos na velhice. E ainda têm por consequência: leva indivíduos a praticar actos ilícitos, envergarem na corrupção, lavagem de dinheiro ou branqueamento de capital.
  9. Alguns angolanos não fazem seus investimentos em Angola, fazem no estrangeiro. Onde estes investimentos em Angola, dariam postos de trabalho e ajudariam a desenvolver o país.
  10. Para alguns nacionais a sua renda é apenas para sua sobrevivência.
  11. Custo de vida muito alta.
  12. Desvalorização da moeda.
  13. Inflação.

 

8. Produtos disponibilizados pelos Bancos

  • Depósitos a prazo: os depósitos a prazo são aplicações sem risco e cujo retorno está directamente associado ao cumprimento pelo cliente do prazo e condições acordadas, sendo que quanto maior for a duração do depósito maior será a sua rentabilidade.  Exemplos: depósitos para menores e universitários.
  • Conta poupança habitação: é uma conta destinada exclusivamente à acumulação de poupança para realizar a aquisição da sua casa própria ou para efectuar obras de melhoria.
  • Fundo de pensões: um fundo de pensões é um património autónomo, que se destina a financiar um ou vários planos de pensões para garantir rendimentos na fase de reforma.
  • Título do Banco Central (TBC): emitido pelo BNA, este produto financeiro em moeda nacional é um investimento de elevada segurança. Os títulos são vendidos a desconto, sendo que na data de vencimento o investidor recebe o capital e os juros.
  • Bilhetes do Tesouro (BT):  São activos financeiros de curto prazo emitidos em moeda nacional pelo Tesouro Nacional que possuem elevada segurança. Os títulos são vendidos a desconto, sendo que na data de vencimento o investidor recebe o capital e os juros.
  • Obrigações do Tesouro (OT): emitidas pelo Tesouro Nacional com prazo superior a dois anos, pagamentos semestrais de juros de cupão e resgate pelo valor nominal, são activos financeiros de médio-longo prazo.
  • Fundos de investimento: permite aos pequenos investidores acederem aos mercados financeiros em condições que normalmente só estariam ao alcance de profissionais qualificados. Têm um risco acrescido face a alguns instrumentos tradicionais.

Quando se aplica o dinheiro num produto financeiro pretende-se aumentar, ao final de um determinado período, o montante inicialmente concedido.  Porém, existem inúmeros produtos no mercado e, apesar do banco ser responsável por adequar os produtos comercializados aos perfis dos clientes, é importante que cada cliente procure estar informado sobre todos os riscos, taxas e prazos para tomar uma decisão em consciência, (BNA, 2016).

  1. Como fazer poupança?

A poupança surge como o motor do investimento: quanto mais dinheiro tivermos poupado para investir, mais ele se poderá multiplicar. A poupança tem dois vectores: o aforro para objectivos de longo prazo ou para aquisições de curto prazo. Se por um lado é importante não perdermos o foco nos objectivos futuros e no dinheiro necessário para eles, é igualmente importante tentar optimizar todas as compras que fazemos procurando sempre os melhores negócios. E porque no poupar é que está o ganho, aplique os seguintes métodos para ter mais dinheiro no final do mês.

  1. Controle entradas e saídas de dinheiro

O objectivo do controlo das entradas e saídas de dinheiro é tornar o dinheiro real. Só quando mede é que sabe quanto gasta realmente em cada categoria de despesa, e todos nós temos surpresas. Se se perguntar quantas horas tem de trabalhar para pagara comida que come, saberia responder?

 

O controlo do cashflow materializa-se através da elaboração de um mapa de cashflow, utilizando uma folha de Excel, um bloco de notas, ou um programa de acompanhamento financeiro como o Quicken, Mint ou o Money Manager da Kash. Este deve ter uma divisão por categorias, possibilitando o registo regular das receitas e das despesas, e limitar-se às categorias essenciais. Há pessoas que escolhem guardar recibos e anotar no final do dia, outras pessoas andam sempre com um telemóvel ou agenda e registam no acto da despesa o que saiu. Há vários métodos e o importante é ter um que funcione. 

 

Na generalidade os alguns olham apenas para a conta no início e no fim do mês. Não sabem para onde vai o dinheiro e pensam que sabem. Mesmo que tenha pouco tempo, registe pelo menos durante 3 meses as suas despesas. Acredite que ajudará ao passo seguinte, de pagar primeiro a si, e a ter mais dinheiro. 

  1. Pague primeiro a si

Pagar primeiro a si significa retirar parte do seu ordenado para uma conta poupança, assim que o recebe e antes de pagar a terceiros. Se reparar o governo, com a retenção na fonte, paga primeiro a ele: recebe o ordenado já sem os impostos. Ao pagar primeiro a si, pode não saber para onde foi o dinheiro, mas já poupou o que planeou no início do mês. A poupança recomendada a pagar primeiro a si deverá corresponder a pelo menos 1 hora do seu trabalho diário, ou seja, se trabalhar 8 horas por dia, corresponde a 12,5% de poupança. Pagar primeiro a si só irá custar nos dois primeiros meses. No primeiro, deve fazer um orçamento de quanto prevê gastar e retirar logo a quantia excedente assim que receber o ordenado. Provavelmente, não irá acertar logo à primeira, contudo no segundo mês já conseguirá ter uma maior consciência dos gastos e já estará mais à vontade para gerir a sua vida com este orçamento. Dois meses é o tempo necessário para se habituar e desenvolver outros métodos de poupança.

  1. Defina orçamentos de despesa

Ao definir orçamentos para os vários tipos de despesas estará a gerir o seu mês de acordo com o planeado, para cada categoria de despesa, tal como uma empresa faz com os seus orçamentos. Para definir orçamentos de despesa, o primeiro passo é começar a registar todas as saídas de dinheiro e a agrupá-las por categorias num mapa de despesas. Ao aplicar este método durante 3 meses, terá uma visão clara de como se mexe o seu dinheiro. Poderá assim definir valores máximos a gastar em cada uma das categorias, não esquecendo nunca a categoria que define o dinheiro que deve gastar em pequenas prendas para si.

  1. Crie um cesto da segurança

Se já consegue poupar os 12,5% por mês, então deverá começar a preocupar-se em como dividir essa poupança. É essencial ter sempre uma poupança para emergências, onde deverá ter dinheiro correspondente a 6 meses da sua média das despesas. Este dinheiro se aplicado em produtos de baixo risco e boa liquidez, estará sempre a crescer, dando-lhe uma rede de segurança para alguma eventualidade. Após ter esta poupança preenchida é altura de juntar dinheiro para os seus investimentos e para realizar os seus sonhos. Lembre-se que o dinheiro é um meio para atingirmos outros fins e poupar dinheiro para os nossos maiores objectivos é uma das melhores formas de nos motivarmos a poupar, (Kash, 2010).

9.1. Regras de Ouro da Poupança

  • Faça um bom planeamento da sua poupança, fazendo uso de instrumentos com características que lhe permitam uma otimização dos seus rendimentos.
  • Se tem dívidas, é importante fazer contas, na medida em que não será vantajoso canalizar dinheiro para uma conta que rende 1 ou 2% de juros sem procurar abater uma dívida do cartão de crédito que represente um custo de 20% ao ano.
  • Invista as poupanças de forma a não perderem valor.
  • Tenha presente que o risco e o retorno estão positivamente correlacionados: quanto maior o risco, maior pode ser o retorno possível.
  • Acompanhe as melhores soluções de mercado no que toca a contas-poupança. A melhor opção hoje pode não ser a mesma de há um ano, (BIG, 2018).
  1. Vantagens de Poupar

A poupança é fonte de riqueza para qualquer pessoa, família, empresa ou país. Equivale a quantidade de dinheiro que se recebe e não se gasta. O dinheiro que for poupado deve ser guardado, acumulado e investido.

 

A poupança serve para dar tranquilidade financeira às pessoas. Qualquer problema se torna mais complicado quando também falta dinheiro para enfrentá-lo.

 

O ideal é que cada pessoa poupe uma parte de tudo o que ganha. Fazendo isso sempre, você verá que é possível juntar mais dinheiro do que imagina.

 

Quem consegue juntar dinheiro sempre tem vantagens:

  • Vive mais tranquilo porque pode pagar as despesas em dia;
  • Pode comprar à vista e obter descontos, fazendo sobrar mais dinheiro;
  • Pode aproveitar oportunidades e fazer bons negócios;
  • Tem mais chances de ter um futuro tranquilo, (CAIXA, 2018).

Conclusão

Chegando ao final deste artigo, percebemos que não basta poupar, deve ser investida, caso contrário perde poder de compra com o aumento da inflação.

 

Vimos também que um dos factores para as famílias terem poder de compras são as políticas: fiscal, monetária e cambial, implementas pelo Estado angolano (que hora é expansionista e contraccionista), que refletem na vida das famílias.

 

Em partes este fenómeno negativo a “crise”, veio reeducar ou despertar a população sobre a poupança.

 

Quanto as hipóteses foram todas confirmadas.

 

Referências Bibliográficas

 

BIG. (2018). Gerar Poupança. Lisboa: Banco de Investimento Global.

BNA. (2016). Guia do Consumidor Bancário: Um Guia de Suporte à Relação entre Consumidores e Bancos. Luanda: Banco Nacional de Angola.

CAIXA. (2018). Fundamentos de Educação Financeira. Brasília: CAIXA.

Calleja, J. (2008). Os Professores Deste Século. Algumas Reflexões. Revista Institucional Universidad Tecnológica del Chocó.

Kash. (2010). Mandamentos da Poupança. Lisboa: Kash Finanças Pessoais.

Universidade Católica de Angola. (2015). Relatório Social de Angola. Luanda: Universidade Católica de Angola.

 Legislação Consultada:

Decreto Presidencial n.º 91/17. Fixa para Kz: 16.503,30 o salário mínimo nacional garantido único. - Revoga toda a legislação que contrarie o disposto no presente Diploma, nomeadamente o Decreto Presidencial n.º 144/14, de 9 de Junho. (7 de Junho de 2017). [I Série – N.º 90]. Luanda: Imprensa Nacional.

 

Dinheiro parado é dinheiro perdido. E a poupança deve ser maior que os gastos!!!

 

[1] Graduado no Curso de Administração Pública, pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Relações Internacionais (CIS), evandro.amaral2015@hotmail.com; 

 

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