Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Evandro José Coelho do Amaral

Evandro José Coelho do Amaral, Licenciado em Administração Pública pelo INSTITUTO SUPERIOR DE CIÊNCIAS SOCIAIS E RELAÇÕES INTERNACIONAIS (CIS).

Evandro José Coelho do Amaral, Licenciado em Administração Pública pelo INSTITUTO SUPERIOR DE CIÊNCIAS SOCIAIS E RELAÇÕES INTERNACIONAIS (CIS).

Evandro José Coelho do Amaral

22
Abr18

PODEMOS ACABAR COM A FOME E A POBREZA NO MUNDO?


Evandro José Coelho do Amaral

PODEMOS ACABAR COM A FOME E A POBREZA NO MUNDO?

CAN WE TERMINATE WITH HUNGER AND POVERTY IN THE WORLD?

NewPaper nº 44/2018

 

Amaral, Evandro José Coelho do [1]

Clica aqui para ver na versão PDF

Resumo

Neste artigo procuramos saber se existe formas de acabar com a fome e a pobreza no mundo. E os constrangimentos da não erradicação destes fenómenos que é um cancro no mundo, que deve ser eliminado quanto antes. Também será apresentado teorias relacionadas à esta temática.

Palavras-chaves: Fome, Pobreza e Mundo.

 

Abstract

In this article we look to see if there are ways to end hunger and poverty in the world. And the constraints of non-eradication of these phenomena is a cancer in the world, which should be eliminated as soon as possible. Theories related to this subject will also be presented.

Keywords: Hunger, Poverty and the World.

 

Introdução

Para responder à questão acima, começamos a responder com as seguintes reflexões:

  • É possível acabar com a fome e pobreza no mundo. Alguns países têm preferência de deitar alimentos fora e contaminar alguns alimentos. Para mantém a sua hegemonia aos outros países (os fortes dominam os fracos);
  • Alguns países têm muita preferência em adoptar um animal, em vez de um ser humano ou de alimentar um ser humano.
  • Alguns países sobretudo africanos, têm uma taxa de natalidade muito alta e o mesmo ocorre na natalidade, ou seja, fazem muitos filhos;
  • A pobreza é causada pela superpopulação. É a superpopulação a causa da pobreza.
  • A terra tem potencial para alimentar a população do mundo. Devido o orgulho e ganância dos líderes dos Estados, assim não o fazem. É um dos motivos pela não erradicação destes fenómenos;
  • Falta de amor ao próximo;
  • Alta taxa de desemprego;
  • Não utilização de métodos anticonceptivos;
  • Muita importação, em vez da exportação;
  • Os países africanos têm preferência em investimentos errados e em consumo, ou seja, gastam dinheiro em coisas sem necessidades (festas, carros de luxos, bijuteria caras e outras), que poderá deixa-lo pobre ou empobrecer (empréstimo). Onde deveriam investir na educação, saúde, transportes, segurança e outros.
  1. Teorias Demográficas

1.1. Teoria Malthusiana

A Grã-Bretanha, no inicio da Revolução Industrial tinha pouco mais de 5 milhões de habitantes por volta de 1750. A partir daí, o processo de crescimento populacional foi rápido. Também, essa tendência generalizou-se nos demais países europeus que acompanharam a primeira fase da revolução industrial. Foi a partir da observação da etapa inicial desse processo que surgiu a primeira teoria sobre o crescimento populacional (Lucci Et al., 2005, p. 316 Citado por Fontana, Costa, Silva, & Rodrigues, 2015).

 

Assim, [...] em 1798, o pastor protestante Thomas Robert Malthus escreveu a mais famosa obra sobre questões demográficas: Ensaio sobre o princípio da população. Ele acreditava que a população tinha potencial de crescimento ilimitado, e a natureza, inversamente, recursos limitados para alimentá-la.

 

Exposta em 1798, foi à primeira teoria demográfica de grande repercussão nos meios acadêmicos, políticos e econômicos e até hoje é a mais popular de todas, apesar das falhas que apresenta. Preocupado com os problemas socioeconômicos (desemprego, fome, êxodo rural, rápido aumento populacional) decorrentes da Revolução Industrial e que afetavam seriamente a Inglaterra, Malthus expôs sua famosa teoria a respeito do crescimento demográfico.

 

Afirmava que as populações humanas, se não ocorrerem guerras, epidemias, desastres naturais etc., tenderia a duplicar a cada 25 anos. Ela cresceria, portanto, em progressão geométrica (2, 4, 8, 16, 32...). Já o crescimento da produção de alimentos ocorreria apenas em progressão aritmética (2, 4, 6, 8, 10...).

 

Ao considerar esses dois postulados, Malthus concluiu que o ritmo de crescimento populacional (progressão geométrica) seria mais acelerado que o ritmo de crescimento da produção de alimentos (progressão aritmética). Previa, também, que um dia as possibilidades de aumento da área cultivada estariam esgotadas, pois todos os continentes estariam plenamente ocupados pela agropecuária e, no entanto, a população mundial ainda continuaria crescendo.

 

Para ele e os defensores dessa tese, descartavam a utilização de métodos contraceptivos para limitar o crescimento populacional; para eles a solução estaria no controle da natalidade, sendo que o referido controle deveria basear-se na sujeição moral do homem (casamento tardio, abstinência sexual etc.).

 

Para evitar a tragédia por ele prevista, Malthus defendia o que chamou de “controle moral”.  Devido à sua formação religiosa. Pregava, porém, uma série de normas, que incluíam a abstinência sexual e o adiamento dos casamentos, que só deveriam ser permitidos mediante capacidade comprovada para sustentar a provável prole. É evidente que tais normas atingiam apenas a população mais carente, condição que Malthus atribuía a essa população, em razão da tendência aos casamentos precoces e a reprodução ininterrupta[2].

 

As principais falhas na Teoria Malthusiana são:

  • Corresponde a uma teoria preconceituosa, onde só era permitido o relacionamento sexual a quem possuía dinheiro.
  • Malthus não levou em consideração o avanço tecnológico do homem no sector agrícola, como por exemplo: mecanização, irrigação, melhoramento genético e etc.
  • A população do planeta afinal não duplicou a cada 25 anos, e a produção de alimentos se acelerou foi graças ao desenvolvimento tecnológico.

 

1.2. Teoria Neomalthusiana

Com o final da Segunda Guerra Mundial, foi realizada uma conferência de paz em 1945, em São Francisco, que deu origem à Organização das Nações Unidas (ONU).

 

Na ocasião, foram discutidas estratégias de desenvolvimento, visando evitar a eclosão de um novo conflito militar em escala mundial. Havia apenas um ponto de consenso entre os participantes: a paz depende da harmonia entre os povos, e, portanto, da diminuição das desigualdades econômicas no planeta. Mas, como explicar, e, a partir daí, enfrentar os problemas da fome e miséria nos países subdesenvolvidos?

 

Nesse contexto histórico, foi criada a teoria demográfica neomalthusiana, uma tentativa de explicar a ocorrência de fome nos países subdesenvolvidos, para se esquivarem das questões econômicas.

 

Segundo Lucci e outros autores (2005, p. 320):

 

A explosão demográfica do século XX foi um fenômeno do mundo subdesenvolvido, que a partir da década de 1950 passou a registrar elevadas taxas de crescimento demográfico. Alguns países subdesenvolvidos chegaram a dobrar a sua taxa de crescimento em menos de três décadas. Foram esses países que mais contribuíram para o crescimento da população mundial nesse século. Actualmente eles concentram 80% da população do planeta, esse índice tende a aumentar. [...] O fenômeno da explosão demográfica assustou o mundo e fez surgirem novas teorias demográficas.  As primeiras associavam o crescimento demográfico à questão do desenvolvimento e propunham soluções antinatalistas para os problemas econômicos enfrentados pelos países subdesenvolvidos. Ficaram conhecidas como teorias neomalthusianas, por serem catastróficas e apontar o controle populacional como única saída.

 

Os neomalthusianos, temerosos, diante desse quadro assustador no Terceiro Mundo, passam a responsabilizar esses países pelo quadro de fome e miséria e os seus elevados crescimentos demográficos.

 

Para os neomalthusianos quanto maior o número de habitantes de um país, menor a renda per capita e a disponibilidade de capital a ser distribuído pelos agentes econômicos. Verifica-se que essa teoria, embora com postulados totalmente diferentes daqueles utilizados por Malthus, chega à mesma conclusão: o crescimento populacional é o responsável pela ocorrência da miséria. Ela passa, então, a propor programas de controle da natalidade nos países subdesenvolvidos e a disseminação da utilização de métodos anticoncepcionais.

 

Ao contrário de Malthus, os neomalthusianos eram favoráveis ao uso de métodos anticoncepcionais e propunham a sua difusão em massa nos países subdesenvolvidos. Argumentavam que os países que mantêm elevadas taxas de crescimento veem-se obrigados a investir boa parte de seus recursos em educação e saúde, devido à grande percentagem de jovens que abrigam, e julgavam que essas somas elevadas poderiam ser aplicadas em actividades produtivas, ligadas à agricultura, à indústria, aos transportes etc., que dinamizariam a economia do país.

 

É uma tentativa de enfrentar problemas socioeconômicos, exclusivamente, a partir de posições contrárias à natalidade, de acobertar os efeitos devastadores dos baixos salários e das péssimas condições de vida que vigoram nos países subdesenvolvidos a partir de uma argumentação demográfica.

 

Os argumentos dos neomalthusianos foram desfeitos pela dinâmica demográfica real. Os países que apresentaram queda acentuada na taxa de natalidade foram aqueles cujas conquistas econômicas se estenderam à maioria dos habitantes, na forma de melhoria da renda e do padrão cultural. Só uma distribuição de renda mais justa e maior acesso à cultura e à educação podem modificar os padrões de crescimento, melhorando a qualidade de vida das pessoas.

 

Apesar de vários países terem adotados medidas de controle da natalidade sob orientações neomalthusianas a situação de fome e miséria continuou existindo[3].

 

1.3. Teoria Reformista

Contrários às teorias Malthusiana e Neomalthusiana, que atribuem ao grande crescimento populacional dos países subdesenvolvidos a culpa pelo estado de pobreza e fome, os reformistas ou marxistas admitem que a situação de pobreza e subdesenvolvimento, a que foi submetido os países subdesenvolvidos, é a responsável pelo acelerado crescimento demográfico e consequente estado de fome e miséria. Como afirmam Almeida e Rigolin (2002, p. 119):

 

Os reformistas atribuem aos países ricos ou desenvolvidos a responsabilidade pela intensa exploração imposta aos países pobres ou subdesenvolvidos, que resultou em um excessivo crescimento demográfico e pobreza generalizada. Defendem a adoção de reformas socioeconômicas para superar os graves problemas.

 

Diante disso, os reformistas defendem a adoção de profundas reformas sociais e econômicas para superar os graves problemas dos países subdesenvolvidos. A redução do crescimento viria como consequência de tais reformas. Eles citam o exemplo dos países desenvolvidos, cuja redução do crescimento só foi possível após a adoção de reformas socioeconômicas e consequente melhoria do padrão de vida das suas populações.

 

Para os defensores dessa corrente, a tendência de controle espontâneo da natalidade é facilmente verificável ao se comparar a taxa de natalidade entre as famílias de classe baixa e de classe média. À medida que as famílias obtêm condições dignas de vida, tendem a diminuir o número de filhos para não comprometer o acesso de seus dependentes aos sistemas de educação e saúde.

 

Assim, pode-se perceber que a questão das teorias demográficas é bastante complexa, e qualquer radicalismo é desaconselhável. Afinal, existem países populosos desenvolvidos e subdesenvolvidos, países não populosos desenvolvidos e subdesenvolvidos, e países densamente povoados desenvolvidos e subdesenvolvidos. Além, de questões culturais, políticas e econômicas que devem ser levadas em consideração nos estudos da população[4].

 

Experiencias: Neutralidade da População

Esse método é usado na Europa onde encontramos a população velha e a infraestrutura velha, com a intenção de diminuir o número insignificante da população, deixando a população activa ou jovem em número reduzido com:

  • Pírulas anticoncepcional, incentivo camisinhas, aborto e outros;
  • Planeamento Familiar;
  • Instrução para a População;
  • Alfabetização para todos;
  • Redução do Índice de Desemprego;
  • Dar a população modo de vida adequada.

 

1.2. A Paz Perpétua de Immanuel Kant

Immanuel Kant foi um grande filósofo do iluminismo realizou numerosos trabalhos, sobre ciência, física, matemática, política, etc.

 

Em 1795 escreveu o livro a Paz Perpétua, a grande questão nessa obra era como assegurar que os Estados nacionais, possam estabelecer entre si um quadro de paz perpétua.

 

Para isso o autor aborda alguns elementos fundamentais e teorias para não surgir a guerra entre Estados.

 

Esta obra a Paz Perpétua esta dividida em duas secções. A primeira secção esta composto por 6 artigos pré-eliminares para a paz perpétua entre Estados. Kant descreve as condições que são impeditivos a Paz.

 

Na segunda secção contém 3 artigos definitivos para a paz perpétua entre os Estados por outro lado ainda nesta segunda secção Kant descreve dois artigos detido como suprimentos da garantia da Paz Perpétua.

 

Neste contexto quanto a primeira secção os artigos pré-eliminares para a paz perpétua entre os Estados que Immanuel Kant aborda m sua obra são:

 

  1. Inexistência de tratado de paz com reserva de matéria para guerra futura;

Os tratados devem ser feitos sem reserva secreta, Kant faz diferença entre o conceito de Paz e a Ideia de trégua.

 

É necessário se o que procuramos é realmente a Paz então os tratados busquem selecionar as lacunas abolindo-se por conflito a possibilidade de novos conflitos.

 

As ressalvas podem levar com que os Estados possam preparar uma guerra futura.

  1. Nenhum Estado pode ser adquirido, por herança, troca, compra ou doação.

Kant afirma que um Estado não é um património do governante, mas sim uma sociedade em que o próprio Estado pode ordenar.

 

Anexa-lo ao outro Estado é anular a sua existência.

 

  1. Os exércitos permanentes devem ser eliminados ou devem desaparecer, pós esses ameaçam outros Estados com guerra.

Demostram que de uma ou de outra forma os Estados estão sempre prontos a guerrear.

 

  1. Nenhum Estado deve contrair dividas para custear a guerra.

Um sistema económico que facilita o crédito a guerra é uma incentivadora a guerra.

 

  1. Nenhum Estado deve empregar força na constituição e no governo de um outro Estado.

Caso contrário tornaria insegura a autonomia de todos Estados.

 

  1. Em guerra não deve ser permitido hostilidade as quais tornem impossível a paz futura.

Mesmo após a guerra a deve haver confiança entre Estado.

 

Esses são os fundamentos que segundo Kant servem como regras iniciais para o inicio do desenvolvimento da Paz Perpétua entre os Estados. A segunda Secção:

 

  1. A constituição civil em cada Estado deve ser republicana.

A constituição de um Estado deve ser funda-se nos princípios da liberdade das pessoais enquanto componente de uma sociedade da sua dependência a uma legislação comum e da sua igualdade como cidadão.

 

Kant explica ao reconhecer a cidadania das pessoais a constituição republicana implica a sua participação nas decisões ao contrário de uma outra constituição em que cabe os governantes decidir sobre os rumos dos Estados.

 

Quando a legislação comum é constituição republicana os cidadãos para tomar uma decisão refletem sobre a consequência que podem activar da sua própria vida e são mais cautelosos.

 

  1. O Direito da gentes deve ser fundado sobre um federalismo de Estados Livres.

Para garantir uma situação de Paz Perpétua, Kant sugeri a formação de uma liga de povos em que não seria o mesmo que um Estado, congregando povo, pós cada um tem e deve conservar a sua individualidade.

 

A liga de povos, resultaria de um contrato mútuo entre Estado livres aliando em objectivos em compromissos comuns em outras palavras, com direito e deveres recíproco.

 

Somente a tal liga das nações poderia assegurar a instituição de Estado de paz ou a paz perpétua.

 

  1. Direito cosmopolita deve ser limitada das condições da Hospitalidade Universal.

Kant fala do “Direito da Posse comunitária da superfície da terra”, e que em virtude de suas dimensões limitadas, somos obrigados a conviver com os outros, tornando-se necessário exercitar a tolerância mutua.

 

Sendo colectivamente proprietário do planeta, compete a cada um e a todos, desde que hajam pacificamente, “o Direito de visita” que se faz acompanhar do Direito de Hospitalidade.

 

O Direito da posse comunitária da superfície da terra, o Direito de visita e o Direito de Hospitalidade promoveriam a comunicação e o relacionamento pacífico entre pessoas dos mais variados pontos do mundo e contribuiriam para transformar em realidade o ideal de uma “constituição cosmopolita”.

 

  1. Transformar o nosso mundo: Agenda 2030 de Desenvolvimento Sustentável

O desenvolvimento económico e social, que caracteriza as últimas décadas da sociedade contemporânea, têm sido alcançados à custa da acelerada e algumas vezes irreversível degradação dos recursos naturais que coloca por sua vez em risco a própria existência humana. Situações como a contaminação de águas, o uso abusivo de agrotóxicos, as secas provocadas pelas alterações climáticas, a destruição de habitats e desflorestação, estão a ter impactes cada vez mais acentuados na vida e qualidade de vida das pessoas.

 

A crise ambiental que a sociedade enfrenta nos dias de hoje converteu-se num processo social, na medida em que existe hoje na sociedade a percepção que a degradação ambiental tem impacto directo na vida da sociedade e constitui uma ameaça à vida humana. Os efeitos da globalização, principalmente sobre os países pobres, têm conduzido a um aumento do número de pessoas mais vulneráveis. A pobreza muitas vezes força a migração de pessoas para centros urbanos já sobrelotados e desprovidos de recursos essenciais de saneamento básico, o que também põe em risco o ambiente pela inevitável contaminação dos recursos naturais. Por outro lado, para combater a pobreza, é necessário que o meio ambiente esteja em bom estado para que as suas potencialidades sejam exploradas adequadamente, pois só assim é possível produzir e extrair bens que são fundamentais não só à sobrevivência, mas também ao desenvolvimento humano.

 

Uma das lições aprendidas dos ODM é que o ambiente não pode ser retirado desta equação, pois a degradação ambiental exacerba a pobreza contribuindo para uma maior instabilidade social. É reconhecida a impossibilidade de assegurar paz duradoura e estabilidade enquanto existirem enormes desigualdades no mundo e enquanto os sistemas naturais que sustentam a vida permanecerem sob ameaça. Neste sentido, em 2015 foi aprovada a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável na cimeira da ONU em Nova Iorque. Esta nova Agenda 2030 contém 17 Objectivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e 169 metas relacionadas. Os ODS aprovados foram construídos sobre as bases estabelecidas pelos ODM, de maneira a completar o trabalho que ficou por alcançar e responder aos novos desafios globais. Um dos pilares que caracteriza os ODS é a facto de ser defendido que o desenvolvimento só é possível se for feito de forma sustentável, e mais do que nunca os problemas que existem no mundo estão directa ou indirectamente ligados aos factores ambientais[5].

 

  1. Vejamos algumas alternativas para acabar com a fome no mundo[6]

Uma primeira alternativa seria a eliminação ou, pelo menos, a redução dos gastos militares no mundo que estão na ordem de US$ 1,6 trilhão de dólares ao ano. Este dinheiro seria suficiente não só para acabar com a fome como para reconstruir áreas cultiváveis degradadas. Existem alguns milhões de homens e milhares de mulheres que passam a vida activa na caserna fazendo trabalhos inúteis ou preparando guerras e ações militares que provocam mortes e danificam o meio ambiente. Se os recursos financeiros e humanos usados em gastos militares forem redirecionados para actividades produtivas a fome poderia ser eliminada, a educação e a saúde poderiam avançar, etc. Além de tudo, o movimento pacifista mundial agradeceria.

 

Uma segunda alternativa seria utilizar apenas fontes vegetais de nutrientes na alimentação. Os vegetais são seres vivos que produzem a sua própria alimentação (por meio da fotossíntese) e não possuem as capacidades de senciência dos animais. Os vegetais são capazes de fornecer tudo o que o organismo humano precisa para se nutrir: proteínas, carboidratos, lipídios, vitaminas e sais minerais. Portanto, deixar de comer peixes, carnes e derivados não só salvaria a vida de bilhões de seres sencientes que sofrem – na vida e na morte quando vão para os abatedouros – como abriria a possibilidade de transformar as áreas de pastagens, de confinamento de animais e de produção de ração para o gado em áreas de plantação de alimentos saudáveis, orgânicos e nutritivos. Seria uma também alternativa para a evitar a degração ambiental dos solos e da água e para a redução do aquecimento global (o metano é um dos principais gases de efeito estufa). Além disto seria uma alternativa adequada à filosofia do vegetarianismo e do veganismo, além de viabilizar o fim da “escravidão animal”.

 

Uma terceira alternativa seria eliminar o consumo e a produção de drogas e de bebidas alcoólicas, os jogos de azar, os cassinos e os jogos que utilizam animais como touradas, rodeios, corridas de cavalos, cachorros e camelos, brigas de galos, etc. Estas actividades são prejudiciais para a saúde dos humanos e dos não-humanos e envolvem uma industria – legal ou ilegal – de trilhões de dólares. O fim destas actividades seria suficiente para acabar com a fome e a pobreza extrema no mundo, evitaria muitas mortes por overdose, cirrose e acidentes de trânsito, além de liberar recursos para investimentos na educação, saúde, ciência e tecnologia, recuperação de florestas e ambientes degradados, etc.

 

Uma quarta alternativa seria proibir a produção de alimentos visando o lucro e eliminar os atravessadores na comercialização da comida e os especuladores que fazem fortunas nos mercados futuros de alimentos. Numa perspectiva socialista ou comunitária, poderia se transformar todas as empresas capitalistas de alimentos em cooperativas sem fins lucrativos, controladas pelos trabalhadores, produtores rurais e pela comunidade e consumidores. Os alimentos seriam produzidos para a vida e não para o lucro.

 

Uma quinta alternativa seria eliminar ou reduzir ao máximo o desperdício na produção, transporte, armazenamento, comercialização e consumo de alimentos. Somente esta alternativa já seria suficiente para acabar com a fome no mundo. Mas, evidentemente, não é fácil acabar com os desperdícios, pois os alimentos são, em geral, bens perecíveis e de difícil conservação. Evitar a perda na colheita significa investir muito para recuperar as sobras da produção, assim como seria preciso grandes investimentos para evitar perdas em toda a cadeia produtiva. Ajudaria muito promover uma educação para ensinar as pessoas a não deixarem comida no prato, não deixar passar o prazo de validade dos produtos, evitar as perdas nos restaurantes, etc. Para complicar, os desperdícios tendem a aumentar quando o preço dos alimentos caem ou quando a renda das pessoas sobe. Mas o fim do desperdício também seria o fim da fome no mundo.

 

Uma sexta alternativa seria eliminar ou reduzir ao máximo a gravidez indesejada, pois os dados mostram que a fome atinge em maior proporção as crianças e os países pobres que não possuem meios para universalizar os serviços de saúde sexual e reprodutiva, conforme acertado pelos Objetivos do Desenvolvimento do Milênio (ODM). Segundo o International Food Policy Research Institute (IFPRI) o Índice Global da Fome (IGF) apresenta as categorias alarmante e extremamente alarmante, especialmente naqueles países onde existem altas taxas de fecundidade. A Organização Mundial de Saúde (OMS) mostra que existem 215 milhões de mulheres no mundo que não possuem acesso aos métodos modernos de regulação da fecundidade. O número de nascimentos é de 135 milhões por ano. Além disto, muitas mulheres são vitimas de violência sexual e da segregação de gênero, o que impede que elas tenham autonomia social e econômica e capacidade de autodeterminação reprodutiva. Além disto, alta dependência demográfica nas famílias aumenta a competição por alimento entre os filhos, o que prejudica os mais fracos e necessitados. O fim da gravidez indesejada ajudaria a reduzir a fome.

 

Uma sétima alternativa seria uma distribuição mais justa dos alimentos. Dos 7 bilhões de habitantes do mundo, pouco menos de 1 bilhão passam fome, cerca de 3 bilhões se alimentam de maneira razoável e os outros 3 bilhões consomem alimentos acima do necessário. Se estes 3 bilhões (que representam os ricos e as classes médias) reduzirem em 20% suas dietas alimentares, liberariam comida suficiente para alimentar a parcela dos 13% da população mundial que passa fome. Isto também contribuiria para diminuir a obesidade no mundo.

 

Uma oitava alternativa seria implementar a meta 1B dos Objetivos do Desenvolvimento do Milênio (ODM) que convoca os países a: “Alcançar o pleno emprego produtivo e o trabalho decente para todos, incluindo mulheres e jovens”. Se todas as pessoas do mundo tiverem emprego decente e renda então também terão dinheiro para colocar comida na mesa.

 

Ou seja, para acabar com a fome do mundo seria preciso a efetivação de pelo menos uma das oito alternativas ou a aplicação combinada de partes delas, vale dizer: reduzir gastos militares, incentivar uma dieta vegetariana, reduzir o consumo de drogas, bebidas alcoólicas e do dinheiro gasto em jogos, combater os atravessadores e especuladores de alimentos, reduzir os desperdícios, reduzir o crescimento populacional não desejado, repartir melhor o pão entre os cidadãos e cidadãs do mundo e criar políticas de pleno emprego com trabalho decente.

 

Evidentemente, na teoria é fácil acabar com a fome. O difícil é mexer com os inúmeros interesses pessoais, locais, grupais, regionais e nacionais envolvidos. Cada pessoa pode e deve fazer sua parte. Mas sem políticas macroeconômicas e institucionais, envolvendo todos os países do mundo, o problema da fome e da degradação ambiental não será resolvido.

 

O Rascunho Zero da Rio + 20 fala muito em acabar com a pobreza e a fome no mundo. Só não mostrou o mapa do caminho. Talvez estas óctuplas alternativas possam contribuir para o documento final da Conferência ou, no mínimo, poderá ser pauta de discussão na Cúpula dos Povos da Rio + 20.

 

Conclusão

Chegando ao final deste artigo, percebemos que há possibilidade de acabamos com a fome e a pobreza no mundo. Isto só poderá acontecer se haver vontade política. Por exemplo:

  • As bombas que custam 100 mil dólares, lançadas por um avião 100 milhão e que voa com um custo de 40 mil dólares, para matar pessoas que vivem com menos de 1 dólar.
  • Muitos países têm preferência em que a fatia do Orçamento Geral de Estado (OGE) para o sector da defesa tem atingido a maior percentagem.
  • O regime Capitalista vem contribuindo para o aumento da fome e pobreza no mundo.
  • As organizações internacionais têm fracassado na redução do combate a fome e a pobreza no mundo.

 

[1] Graduado no Curso de Administração Pública, pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Relações Internacionais (CIS), evandro.amaral2015@hotmail.com; 

[2] Fontana, R. L., Costa, S. S., Silva, J. A., & Rodrigues, A. d. (2015). Teorias Demográficas e o Crescimento. Aracaju: Cadernos de Graduação. 

[3] Fontana, R. L., Costa, S. S., Silva, J. A., & Rodrigues, A. d. (2015). Teorias Demográficas e o Crescimento. Aracaju: Cadernos de Graduação.

[4] Ibidem.

[5] Rebelo, T. M. (2016). Globalização Pobreza e Desigualdade [Dissertação de Mestrado]. Lisboa: Universidade Nova Lisboa.

[6] José Eustáquio Diniz Alves, colunista do EcoDebate, é Doutor em demografia e professor titular do mestrado em Estudos Populacionais e Pesquisas Sociais da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE

Mais sobre mim

foto do autor

Sigam-me

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Compre produtos e Ganhe dinheiro na FM WORLD

https://shop-uk.fmworld.com/partner/9193299

Links

  •  
  • Poemas

    Revistas

    Arquivo

    1. 2018
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D